A Síndrome de Anderson-Fabry: avanços e desafios para o diagnóstico e tratamento

Camila P Barsaglini, Mayara Sanches, Luis Gustavo Romani Fernandes, Patricia Ucelli Simioni

Resumo


A doença de Anderson-Fabry é uma patologia rara, progressiva, hereditária, de caráter   recessivo, sendo pouco divulgada. Essa desordem, causada pelo depósito lisossômico, é  também chamada de síndrome de Fabry. A síndrome de Fabry possui incidência estimada de um a cada 40,000-60,000 homens e um a cada 117,000 pessoas.

A doença de Fabry, embora muito agressiva para os acometidos, é pouco conhecida e divulgada, o que muitas vezes gera morosidade para o seu diagnóstico correto. Em geral, os sintomas clínicos dessa deficiência enzimática aparecem na infância e adolescência, levando ao comprometimento progressivo de alguns sistemas, entre eles o vascular, cerebral, cardíaco e renal. Devido à dificuldade de identificação da deficiência enzimática por métodos de rotina, muitos pacientes com a doença de Anderson-Fabry são inicialmente diagnosticados de forma equivocada. Ainda, por ser uma patologia de difícil identificação, o diagnóstico tardio pode causar alterações na qualidade e na expectativa de vida dos pacientes.

Neste contexto, o presente artigo teve por objetivo realizar uma revisão aprofundada da sintomatologia clínica da síndrome de Anderson-Fabry, bem como ressaltar que o diagnóstico laboratorial prematuro é de relevância para o tratamento dessa síndrome. O presente artigo traz uma revisão crítica da literatura, de forma integrativa e discursiva, dedicada a avaliação do contexto atual das pesquisas relacionadas à Síndrome de Fabry. Ainda, esse trabalho enfatiza a necessidade da reposição enzimática precoce como forma de tratamento de pacientes.

Essa deficiência genética, com herança ligada ao X, consiste em um erro inato do catabolismo dos glicoesfingolipídeos, decorrente da redução parcial ou ausência da enzima lisossômica alfa-galactosidase A, fato que acarreta o acúmulo de globotriasilceramida nos lisossomos. Sendo multissistêmica, essa doença é muitas vezes sub-diagnosticada e, em consequência, o tratamento é iniciado tardiamente, fato que compromete a evolução clinica do paciente.

Atualmente existem várias formas de diagnóstico clinico e laboratorial, as quais devem ser avaliadas em conjunto. O levantamento de dados da literatura mostra que, na atualidade, a confirmação da doença se baseia na dosagem ou na determinação da enzima alfa-galactosidase A por métodos bioquímicos e de biologia molecular, respectivamente. O diagnóstico molecular pode ser feito por métodos de detecção do gene deficiente por biologia molecular, uma nova ferramenta para o diagnostico preciso, rápido e correto dessa síndrome genética. Pode-se citar ainda a associação de métodos de tomografia computadorizada, ecocardiograma, biópsia de tecido obtido da pele ou rim e ainda o diagnóstico pré-natal pelo método de amniocentese. O diagnóstico adequado também requer atenção para os sintomas específicos e peculiares da Doença de Fabry, tais como angioqueratomas e avaliação dos achados oculares, como a córnea verticilata, características clínicas diferenciais para a identificação da doença. Ainda, a triagem familiar e a pesquisa de casos familiares são complementares para o diagnóstico correto dessa alteração gênica.

A análise critica da sintomatologia, bem como a avaliação dos métodos de diagnóstico existentes são de extrema relevância para o tratamento adequado dessa desordem genética. O tratamento atual envolve principalmente a reposição enzimática e esse, quando iniciado precocemente, pode modificar o curso da doença. Nesse contexto, a compreensão dos sintomas da doença de Fabry e o uso de novas estratégias para detectar as mutações bem como a investigação clínica e laboratorial colaborativa, podem ser relevantes para o diagnóstico clinico adequado da doença. Embora o tratamento dessa desordem genética, por reposição enzimática, seja relativamente simples, o diagnóstico adequado é necessário para o inicio do tratamento antes da manifestação dos sintomas clínicos.

Com a identificação do indivíduo acometido pela síndrome, o tratamento específico consiste na terapia de reposição enzimática com a enzima recombinante α-galactosidase A. Entretanto, embora a disponibilidade de tratamento acrescente um impulso para a realização do diagnóstico correto, a compreensão da forma e adequação do tratamento ainda é incompleta. Nesse contexto, uma maior compreensão e divulgação dos sinais e sintomas da doença e das novas estratégias para detectar mutações da enzima são relevantes para o diagnóstico clinico.


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